Don't cry for me Argentina

Não lembro em qual cidade eu morava, mas um serial killer estava à solta e mandava mensagens no Facebook da vítima, avisando sobre o próximo assassinato. 

Fui convidada a participar de um passeio especial nas Cataratas, pela retomada do turismo no Parque Nacional do Iguaçu pós-pandemia. Chegamos ao ponto de embarque e iríamos em ônibus velhos e enferrujados, doados pela Itaipu. Sentei do lado de um boliviano que estava de regata, shorts e havaianas.  

Durante o passeio, apareceu uma onça-pintada e um biólogo explicou que os animais estavam se aproximando cada vez mais dos turistas, porque o parque ficou vazio durante muito tempo. Fiquei apreensiva e olhava para os lados o tempo todo, morrendo de medo. 

Na volta do passeio, o ônibus nos deixou num aeroporto. Na rampa de acesso, tinha uma placa indicando a cidade de Santos. Um velho nojento veio me pedir informações, pegou nos meus peitos. Fiquei muito brava e comecei a socá-lo, mas não tinha força nenhuma. Enfiei um lápis no olho dele, que caiu no chão ensanguentado. 

Sentei num refeitório e na TV estava tocando "Don't cry for me Argentina" e a letra dizia que o Pinochet pegaria os argentinos. Olhei meu Facebook. Tinha uma mensagem que eu era a próxima a morrer. 

Olhei para o boliviano, que estava sentado ao meu lado no refeitório, e tive certeza que ele era o assassino.


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