Urso azul
Trabalhava num hotel que parecia uma casa grande do período colonial (moveis de madeira, quartos muito grandes).
A lembrança oferecida pelo hotel para seus hóspedes adultos era um ursinho, feito de bolinhas (não era feito igual aqueles de miçanga, pareciam bolinhas de sagu, mas uma espécie de plástico mole). Os ursinhos eram super fofos, de várias cores, mas a principal era azul. Os ursinhos faziam tanto sucesso que eram até exportados para outros países.
Não lembro quem, mas alguém comeu um dos ursinhos e aí descobrimos que ele era feito de droga.
Arrumei minhas coisas numa mala e pedi demissão. Fui pra casa sem dizer uma palavra sobre o urso. Fiz um dossiê sobre a empresa, porque entendi que o dono ficou rico produzindo os ursinhos. A hospedagem era só uma fachada para a lavagem de dinheiro e venda de drogas. Conversei com vários jornalistas, mas ninguém queria publicar a história.
Liguei na polícia e fiz a denúncia. O delegado disse que logo iria na minha casa pegar meu depoimento. A campainha tocou. Não era a polícia, mas o dono do hotel onde eu trabalhava. Ele mandou sequestrar minha família e, para não matar todo mundo, eu teria de voltar a trabalhar no hotel... agora produzindo os ursinhos.
Ficava trancada o dia todo num dos quartos do hotel. Um dia, consegui acessar o facebook e ia mandar mensagem para a Denise mas, quando acessei a página dela, vi que ela estava grávida (a foto de capa era daquelas de book, num campo cheio de flores). Resolvi pedir ajuda para a Carla, mas vi que ela também estava grávida.
Fiquei muito envergonhada de querer resolver meu problema enquanto elas estavam grávidas e acabei não pedindo ajuda. Acordei sem saber se consegui sair de lá.
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