Samauri
Um moço senegalês chamado Samauri estava trabalhando de jardineiro na casa da minha mãe. A namorada dele, Sueci, ajudava na cozinha. Ambos eram refugiados.
Estávamos vivendo momentos de tensão por conta do governo, que caminhava para uma ditadura. Meu pai estava desaparecido depois de participar de protestos.
Um dia, chegou um caminhão na porta de casa. Samauri veio pedir ajuda, dizendo que os políticos no caminhão queriam matá-lo, porque ele não tinha documento. A Sueci já tinha sido levada por outro caminhão.
Expliquei que ele trabalhava em casa e que estava tudo certo com a documentação. Mostrei o RG e outros papeis, mas o levaram mesmo assim.
Na minha frente, o colocaram ajoelhado na caçamba do caminhão. Gargalhando, um dos políticos atirou na cabeça do Samauri.
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