O metaleiro

Fui prestar serviço à Itaipu, num parque bem bonito, com um gramado verdinho.


Um cara magrelo, de cabelo comprido e parecendo metaleiro, pediu para ajudá-lo a levar umas coisas para um dos galpões e eu fui. No caminho, ele me prendeu e me levou para um casebre escondido na mata.


Quando chegamos, a mãe dele estava esperando a gente. Aí ela disse:


- Finalmente você vai casar, meu filho.


Eles me amarraram e me deixaram num canto. Era um quartinho sujo, com um banheiro bem pequeno.


Durante o tempo que eu estava lá, escrevi um livro sobre meus sonhos (como eu escrevi com as mãos atadas eu não sei). 


Um dia, o magrelo veio trocar a corda que prendia minhas mãos e usou um prendedor de cabelo. Eu fingi que estava bem preso e que não conseguiria me soltar. Num momento de descuido dele e da mãe, saí correndo pelo gramado. A casa deles era numa ladeira e eles me encontrariam rápido se eu subisse, então corri para o outro lado.


Acabei encontrando uma sala de controle da Itaipu, pedi para ficar lá um tempo e fui usar o banheiro. Meu shorts caiu no chão e ficou encharcado.


Um dos velhinhos que estava trabalhando me ofereceu carona no fusca dele, que parecia de brinquedo (eu mal cabia dentro do carro).


No meio do gramado não tinha estrada, só uma escada antiga de pedra... e foi por lá que subimos. Aí eu acordei.

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