O arpão
Não sei direito como fui parar na casa de um cara com mais algumas pessoas. No total, éramos três casais. A casa do cara era um sobrado, com um muro bem alto e bem fechado, com chapas de metal em vez de grades no portão.
O quintal era sujo, cheio de peças de carro e outras coisas de ferro espalhadas pelo chão. A casa era bem grande, sem muitas divisões, com corredores compridos, mas também com muita tranqueira espalhada pelo chão. Tinha um sofá velho na sala.
Em algum momento (não sei bem o porquê), o dono da casa começou a surtar, dizendo que tinha reunido todo mundo ali para um massacre. Meu coração acelerou e eu saí correndo pra me esconder.
Consegui escalar uma parte da sala que dava para o andar de cima da casa e fiquei pensando num jeito de sair dali, já que ele tinha trancado todas as portas. Uma parte do sobrado era um mezanino e tinha uma janela que dava para o quintal.
Ele deixou duas meninas amarradas na sala enquanto ia atrás dos caras. Achei duas chaves daquelas de trancar gaveta e tinha certeza que abriam o portão.
Entrei num quarto e achei um arpão. Resolvi levar, caso precisasse me defender. Não pensei em salvar ninguém, eu só queria sair dali...
Consegui abrir a janela e me equilibrei em alguns tambores que estavam do lado de fora. Tentei não fazer barulho para abrir o portão... as "chavinhas" funcionaram e eu consegui sair. Quando estava na metade da quadra, lembrei que tinha de fechar o portão... voltei correndo e tranquei.
Consegui chegar numa praia e tinha um barquinho pronto na areia. Quando eu estava chegando perto do barco, o cara apareceu. Preparei o arpão e disparei. Acertei bem no meio da cintura dele e ele se dividiu bem na metade, caindo em duas partes.
Acordei assustada, sem saber se voltei para ver se tinha mais alguém vivo.
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